terça-feira, 15 de junho de 2010

Devaneios de Vida



"Às vezes pensamos que já não há princesas e donzelas, que os principes encantados e dragões efusivos se desvaneceram e se diluíram no tempo!
Cansados ou desiludidos tememos o sonho, apagamos a nossa infância, a nossa inocência.
Deveras intelectualizados, informados e concretos cobramos vitórias com medo da loucura e escusamos, o devaneio, o sonho, a fantasia.
Alimentamos monstros sagrados do consumismo projetamos neles apenas o ter e o receber, quando o apogeu da vida é partilhar, Dar!
Porque aí começa a existência nas dádivas de quem cria na partilha de quem ama.
Dar só os vitoriosos conseguem!
Ter é a fraqueza dos vencidos!
O destino ergue-nos para lá do horizonte.
Caminhamos como sombras reluzentes, gigantes, temerosas e frias.
Fugimos de nós mesmos, convencemo-nos dos nossos aplausos.
Quantas vezes partimos para a corrida e nos estagnamos na partida, fazendo dela
a nossa meta?!
...
Quantas vezes o repetimos?
Quantas vezes tememos o mundo, e nos refugiamos na nossa privacidade?
Porque uma pessoa só é ela própria quando ninguém está a olhar!
Identidades solitárias de vidas sem rumo.
Mas eu quero mais que ser eu!
Quero a vida num apogeu, por isso entre dádivas eu sonho!
E, sonho porque a criança que há em mim desperta a voz de poeta!
..."

António Veiga

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