quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

LIDANDO COM TRANSTORNOS

 

Voltando de um compromisso, eu estava caminhando e, como sempre, refletindo sobre algumas questões de minha vida... Um pouco angustiada eu estava, e conversando com Deus... de repente eu senti uma luz vinda do alto e ergui o rosto... Parei agradeci muito a Deus e tirei uma foto... Pesquisando, vi que é chamado de "nuvem iridescente" e considerado um tipo de arco-íris de fogo. Foi mágico e lindo demais - em 02-12-21 por volta das 13:30h Santíssimo - Rio de Janeiro /RJ

A rotina de vida, as pressões dela, a sociedade, os costumes, as crenças, os folclores... tudo isso e outras coisas nos fazem, por vezes, não enxergar o problema com o foco correto. Não nos deixam enxergar que o que temos é patológico e não qualquer outra coisa. E como tal precisa de atenção médica, acompanhamento e tratamento. Com um “agravante”... precisamos reavaliar e cuidar das nossas posturas e personalidade, nos comportamentos que nos prejudicam...

Nas demais doenças, por vezes, apenas os remédios resolvem, noutras, deve ser complementado com mudança de rotina alimentar. E até mesmo com a atividade física. Algumas doenças afetam nosso estilo de vida, as mais severas, nos fazem repensar a vida como um todo, ressignificá-la. Nos fazem termos, ou mesmo, sermos lições de vida, exemplos de superação e esforço. As doenças mentais fazem isso também, as mais comuns como transtorno de ansiedade, depressão, bipolar, são difíceis de serem identificadas e tratadas, muito pela banalização e falsas informações a respeito. São transtornos com os quais muitos vivem com eles anos, décadas, levando como sendo uma “fraqueza” de personalidade, falta de Deus, falta de fé, apenas mais um fracassado, acomodado, sem tratar, como com meu pai, porque somos doutrinados a sermos fortes, corajosos e destemidas, temos que ser líderes, uma sociedade que homens não choram, e mulheres são multitarefas, e ponto. E ponto?

Assim como, graças a Deus, temos pessoas que superam sim, um momento depressivo, uma fase muito ansiosa, sem passar por médicos e/ou medicações. Seja por conta própria, seja por apoio familiar ou de amigos é muito bom ver que nem todos rumam para o transtorno, e seguem suas vidas no ritmo “altos e baixos” como qualquer mortal vive.

Eu acredito que todos nós que temos um transtorno, passamos pela fase anterior. O momento que ainda dava para cuidar sem tratamento psiquiátrico, ou apenas com terapia, ou mesmo sem terapia, só com apoio de amigos e família...

Por isso eu sempre aconselho quem está num momento difícil, a dar total atenção a esses sinais, se respeitando e se aceitando, não se punindo e nem se escondendo, se isolando. Falar do assunto, conversar mesmo com alguém de confiança, como tem se sentido e o quanto isso incomoda, buscar ferramentas de autoconhecimento para lidar melhor consigo mesmo e conviver melhor com o outro. Isso dá uma chance enorme de não chegar ao abismo do transtorno.

E como é importante o olhar empático do outro sobre nós, como é importante uma irmã que percebe a mudança de postura do irmão, o isolamento, e busca incentivá-lo, se coloca disponível ... aquele colega de trabalho que observa o outro, muito calado quando não costumava ser assim, muito abatido após uma perda e esse colega respeita, acolhe, escuta, as vezes só emprestar o ouvido é o suficiente para pessoa desafogar e se sentir melhor e mais disposto. Não precisa muito.

Mas nossa sociedade é cruel... ironiza, generaliza, banaliza, ofende... estamos constantemente criticando a postura do outro, desconfiando do outro.

Nós não temos o direito de julgar quem mal conhecemos, não cabe a mim, por exemplo, questionar se uma pessoa que só conheço de “vista” está se fazendo de vítima, está fazendo “corpo mole”... Mas fazemos isso o tempo todo! Tudo virou 'mimimi', ou você é 'nutella' ou é 'raiz'.... Na sociedade moderna tudo vira meme, pessoas são julgadas e condenadas por atos o tempo todo nas redes sociais.

A pandemia e com ela, o isolamento colocou em “foco” a saúde mental de pessoas “comuns” e “normais”, levantou a questão dos transtornos mentais mais comuns como nunca antes. Assim como trabalhar o autoconhecimento como forma de se respeitar mais e melhor, e olhar o outro com mais empatia e compaixão.

Eu mesmo comecei meu tratamento no início da Pandemia, quando tive crises mais frequentes, sem saber mais a que profissional recorrer, me deparei com uma ‘live’ que falava sobre o transtorno de ansiedade. Me identifiquei tanto, chorei do momento que comecei a assistir até o fim. No dia seguinte eu liguei para clínica responsável pela live e marquei uma consulta. Junho/2020.

A partir daí eu tentei muito levar pessoas que amo a buscar avaliação e uma opinião profissional sobre aflições e dores sem muitas explicações e que ocorrem a muito tempo (mais de 1 anos, indo e vindo). Não consegui convencer meu pai a tempo...

            O meu desejo para esse mundo é que cada vez mais pessoas percebam o outro a sua volta, seja empático e solidário. Que possamos apontar menos os erros dos outros e estender mais as mãos com a opção de buscar melhorar e se ajustar. Não é fácil, não é simples. Mas precisamos disso. Precisamos muito.

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