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| Tarde de 09-04-2021 - Tirada por mim, no quintal de casa... |
Após tantos anos sem usar meu blog, resolvi compartilhar a carta aqui nele...
Incrível, eu quis colocar uma foto, do Céu... que amo.. nuvens... E o céu estava assim!! Meio nuvem, meio céu aberto... Tão como nós... Meio Luz, meio Sombras ..
Segue abaixo
Quando jovem eu gostava muito de escrever, mas tinha dificuldades para iniciar os textos....
O tempo passa e vamos largando bons hábitos, adquirindo outros, vamos ganhando hábitos nocivos também.
O tempo passa e precisamos aprender a lidar com nossas sombras e enxergar a nossa luz....
Quanto mais tentamos controlar nossas sombras, quanto mais focamos nela para não nos afetarmos dela é quando mais nos atrelamos a ela.
Alguns de nós passa muito tempo olhando sua escuridão na tentativa de “clareá-la”, desfazê-la, diminuí-la... E vamos deixando-a cada vez maior, e mais comandante de nossas vidas.
Quando na verdade o que precisamos é ter bom animo e confiar em nossa LUZ, olhar e cuidar dela, só enxergamos bem as coisas e situações quando conseguimos ver, e só as vemos com luz.
Quando estamos sob o sol, conseguimos ver a sombra, mas não a “sentimos”; quando estamos à sombra, o que não sentimos mais é o calor do sol.... Vejo como sendo assim com nossas luzes e sombras...
.... Eu não sei o que veio primeiro, se a Depressão ou a Ansiedade, o fato de me sentir deslocada, desconectada, isolada por muito tempo, me pois em sombras, me adoeceu. Eu quando estava feliz, queria passar isso ao próximo e normalmente era tolhida, ignorada ou ironizada. Como forma de defesa eu entendia que precisava ser triste para não incomodar. Me sentia acolhida por mim mesmo sendo triste, e tolerada pelos outros. Mas a tristeza ficou tempo demais, e eu adoeci. A vontade de poder ser feliz era tamanha que eu fiquei ansiosa num grau absurdo, vivendo sempre “no dia seguinte”, “frustrada no ontem” e “ausente do hoje”.
Como intensa que sou, vivo nos extremos. Eu sentia uma vontade enorme de viver, e vida tem que ser com alegria, felicidade (é mesmo??). Como quase nunca me sentia feliz, alegre o sentimento de morrer era algo que me confortava, algo que me “livraria” da dor, da sombra, dos maus...
Bom, tenho boas notícias p mim mesmo! E são elas:
* Viver é bom, é importante é um presente, mesmo não estando feliz ou alegre.
* Tudo passa! Seja estar alegre ou triste, feliz ou infeliz.
* As sombras não nos deixam sentir a Luz! Mas a Luz te faz acolher e aceitar suas sombras.
* Seja paciente com você mesmo, ou melhor, seja seu Doutor! Se não há a quem ofertar amor, doe a si próprio! Se não há com quem dançar, dance só, mas dance!
* Certa vez eu li que o segredo é manter-se em movimento! Que nosso coração é um gráfico permanente, que sobe e desce, e quando esse gráfico fica “equilibrado”, fica reto é quando o coração para, é quando morremos. Que nosso coração é o maior e melhor exemplo de que precisamos dos “altos” e “baixos”, que precisamos ser constantes em movimento e não equilibrados, retinhos...
* Também já li que existir não é mesmo que viver. Precisei passar anos existindo para me dar conta do quão esta frase é verdadeira.
* Não devemos parar de chorar, parar de se doar, não podemos achar que tem que dar certo sempre. Não podemos é deixar de sorrir, deixar de ajudar, deixar de tentar. Quando paramos, não perdemos nada, mas não ganhamos nada também!
Preciso dizer a mim mesmo que estar consciente de tudo isso, não me tornará mais forte, mais inteligente, mais feliz ou melhor do que ninguém. Não me deixará imune aos problemas, obstáculos e surpresas indesejáveis. Também não vai apagar as minhas dores do passado, não vai me devolver o que perdi. Estar consciente me deixa conciliar meus altos e baixos, luzes e sombras, estar bem ou estar mal.
Preciso dizer que tudo isso me torna mais tranquila, mas honesta comigo mesmo.
Aceitação, digo, não é concordar com os vacilos, pactuar com seus próprios erros, brindar suas injustiças, não! É entender que é condição humana, de sermos seres que falham, que erram, que se arrependem.
Somos doutrinados a aceitar apenas nossos acertos, nossas vitórias, ensinados a sermos apenas lideres, protagonistas, especiais... mas mentiram para gente! Devemos e podemos aprender com o outro o que não fazer, onde não ir, onde não permanecer, sim é verdade, bem como temos pessoas que nos ajudam a sermos melhores e nos dão bons exemplos! Mas aprendemos e crescemos muito com nossos próprios erros, precisamos praticar o exercício de aceitação, tanto como forma de não se punir, como forma de se respeitar! Como forma de entender que há coisas que levam mais tempo para serem assimiladas, que existem erros que vamos cometer mais vezes do que gostaríamos, e isso não pode ser motivo de se diminuir, precisa ser motivo de dar mais atenção, estudar mais, se preparar melhor, observar mais, buscar mais. E não abandonar, deixar, desistir. E também vamos acertar inúmeras vezes, nós somos sim protagonistas e líderes de nossa própria história, sem plateia, sem holofotes, muitas vezes sem “reconhecimento” alheio, mas e daí? Não muda que fizemos o bem, que demos o nosso melhor, que fomos luz, que iluminamos alguém, alguns ou alguma coisa.
Quando assimilamos de fato que o processo é mais importante que o destino, quando isso realmente passa a fazer parte de nossa caminhada neste mundo, a partir disto, podemos realmente entender o que é viver, viver o processo, amar todas as fases que passaram, deixar ir o que não nos serve mais, olhar para frente em buscar de coisas novas e ‘Estar’ presente em nosso presente. Porque viver é um presente. Estar vivo é um presente! E realmente só temos o HOJE, só temos o agora. O resto, ou já foi, ou não sabemos se será.
Muito grata pela experiência e oportunidade de vivenciar estes dias de desafios de auto cuidado. Foram ferramentas essenciais para despertar...
Eu estou pronta, pronta para não estar pronta nunca e mesmo assim, VIVER.
Monica Nunes
escrito em 06-04

parabéns muito bom , sabias palavras , muitas das quais refletem bem a realidade da vida
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