Anos de
afastamento, uma distância real...
O que nos
uni não nos aproxima...
O que um dia
nos tornou um, hoje é mais um...
Quem somos
nós? Cada um na sua e ninguém sabe o que fomos...
A dor de não
ter nem tua amizade, teu “como vai?”...
O lamento de
ouvir teu “tudo bem?” educado...
Nunca vou
entender porque precisamos chegar a tão pouco...
Nem mil anos
vão conseguir apagar os poucos anos de nós dois...
Ou será de
mim mesmo acreditando que éramos mais... Bem mais...
E que no fim
não são mais, nunca fomos nada...
Vou seguindo
vivendo cada dia... Silenciando meu eu...
Nem sabendo
bem quem sou eu...
Vou levando
cada dia nem sei para onde, nem sei por quê...
Dias a mais,
apenas mais um dia que vem e outro que vai...
Admiro a
capacidade de algumas pessoas de virar a página, de não se importar com o que passou,
com o que ficou... Lamento não ser
assim... Minha cede de respostas me deixa desidratada, abatida... É tão “pouco”
se conformar com os óbvios... sempre espero saber o “algo mais”, o que
justificaria “melhor”, o que me faria pensar: “ ahhh agora sim!! Entendi tudo!!
Posso virar a página e continuar vivendo... Mas o “mais” é sempre “menos” e a cada
menos fico mais fraca... Já nem sei se me acostumei ou se me tornei alguém bem
menor... alguém bem mais frágil, bem mais cinza... ou será que tudo isso
mostrou quem realmente sou, quem sempre fui... Alguém que estava escondida nas
ilusões...
Continuo
lendo a vida, mas sempre volto na página que nunca entendi o “contexto”... Não
sei se perco tempo ou se perco vida... Se ganho mais mágoas ou se ganho mais
esperança... De um dia entender e seguir
lendo a vida, sem voltar nas página de minha vida já sem vida...
Monica Nunes
